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Domínio, hospedagem e DNS: o que é cada um e como funcionam juntos

Para ter um site, você paga por pelo menos duas destas três coisas. O que cada uma faz, quanto custam e como conferir se o seu domínio é mesmo seu.

Por 10 min de leitura

Ilustração do nome de um site, do seu servidor e do DNS que os liga
Ilustração feita com IA (ChatGPT)

O domínio é o nome do seu site, como suaempresa.com.br. A hospedagem é o computador, ligado dia e noite, onde ficam os arquivos do site. E o DNS é o sistema que liga os dois: transforma o nome no endereço numérico desse computador para que o navegador o encontre.

Eles são contratados separadamente e podem ficar em empresas diferentes. O domínio é pago por ano; a hospedagem, normalmente, por mês ou por ano. O DNS quase nunca é cobrado à parte: vem incluído com um dos dois.

Um jeito fácil de entender é pensar numa loja. O domínio é o nome na fachada e o endereço que você passa aos clientes; a hospedagem é a loja, com a mercadoria lá dentro; e o DNS é o mapa que leva qualquer pessoa desse endereço até a sua porta. Sem domínio, ninguém acha você pelo nome; sem hospedagem, não há nada para ver; sem DNS, o nome não leva a lugar nenhum.

O que é um domínio?

Um domínio é o nome único pelo qual um site é encontrado na internet, como wikipedia.org ou suaempresa.com.br. Ele não é comprado para sempre: é registrado por um período que, segundo a ICANN, costuma ir de 1 a 10 anos, por meio de uma empresa autorizada chamada registrador, e precisa ser renovado para não ser perdido.

Todo domínio tem duas partes: o nome que você escolhe e a extensão, que é o que vem depois do último ponto. Há extensões genéricas, como .com, .org ou .shop, e de país, como .br para o Brasil ou .pt para Portugal. Cada extensão é administrada por uma organização chamada registro: a .com é da Verisign e a .br, do Registro.br. Acima de todas, a ICANN coordena o sistema e credencia os registradores que vendem os nomes.

É um sistema enorme. No fim de junho de 2026 havia 401,6 milhões de domínios registrados no mundo, dos quais 166,6 milhões eram .com, segundo o relatório trimestral da Verisign. Por isso vale ter dois ou três nomes em mente antes de pesquisar: os curtos e óbvios costumam estar ocupados.

O que é hospedagem de site?

A hospedagem de site é o serviço que guarda os arquivos da sua página —textos, fotos, código— num servidor: um computador ligado à internet 24 horas por dia que os entrega a cada pessoa que visita o site. Se o domínio é o endereço, a hospedagem é o lugar onde o site realmente fica.

Nem toda hospedagem é igual. Estes são os tipos mais comuns:

  • Compartilhada. Seu site divide um servidor com muitos outros. É a opção mais barata e basta para um site simples, mas se outro site do mesmo servidor recebe muito tráfego, o seu pode ficar mais lento.
  • VPS (servidor privado virtual). Uma parte reservada de um servidor, com memória e processador só para você. É mais estável, mas alguém precisa administrá-la.
  • Dedicada. Um servidor inteiro para o seu site. Faz sentido para lojas ou plataformas com muitíssimo tráfego; para o site de um pequeno negócio, é exagero.
  • Plataformas na nuvem. Seu site é publicado numa rede de servidores espalhados pelo mundo (uma CDN) e entregue a partir do mais próximo de quem o abre, então percorre uma distância menor. É assim que muitos sites modernos são publicados hoje.

Na hora de escolher, o que vem incluído importa mais que o preço: backups automáticos, certificado HTTPS (o cadeado do navegador, que o Let’s Encrypt emite de graça e deveria vir incluído), suporte que responda e uma velocidade razoável. Se você também quer que o site possa ser instalado no celular como um app, isso não depende da hospedagem, e sim de como ele é feito: explicamos em o que é uma PWA.

O que é DNS e para que serve?

O DNS (sistema de nomes de domínio, do inglês Domain Name System) é a lista telefônica da internet: transforma um nome como vertizeplus.com no endereço IP do servidor que o hospeda, uma sequência de números como 216.150.1.65. Computadores se encontram por números; pessoas, por nomes. O DNS faz a tradução.

Funciona assim desde 1987, quando suas especificações foram publicadas, a RFC 1034 e a RFC 1035. Ninguém tem a lista completa: ela é dividida em camadas, e cada camada sabe a quem perguntar em seguida. No topo estão os servidores raiz: 13 identidades, de “a” a “m”, operadas por 12 organizações, que na verdade são cerca de 2.000 cópias espalhadas pelo mundo.

O que acontece quando você digita um endereço

  1. Seu navegador pede o endereço de suaempresa.com.br a um resolvedor DNS: o do seu provedor de internet ou um público, como o 1.1.1.1 da Cloudflare ou o 8.8.8.8 do Google.
  2. O resolvedor, se não tiver a resposta guardada, pergunta a um servidor raiz, que diz quem cuida da extensão .br.
  3. Os servidores do .br indicam quais são os servidores de nomes daquele domínio.
  4. Os servidores de nomes do domínio, configurados por quem o administra, respondem com o endereço IP da hospedagem.
  5. A hospedagem recebe a conexão do navegador e entrega a página. O resolvedor guarda a resposta por um tempo para responder mais rápido da próxima vez.
O caminho de uma consulta DNS, desde que você digita um endereço até a hospedagem entregar a página.

Tudo isso leva milissegundos. Medimos em outubro de 2026, de um computador no Equador, com o resolvedor 1.1.1.1: pedir um nome que o resolvedor não tinha guardado (um subdomínio novo deste blog) levou entre 21 e 28 milissegundos; repetir a mesma consulta, entre 5 e 7 em quase todas as tentativas. O que já está na memória do resolvedor chega cerca de quatro vezes mais rápido.

O que o DNS guarda de cada domínio são registros: linhas que dizem para onde vai cada coisa. Estes são os que você vai ver em qualquer painel:

Os registros DNS mais comuns. Os endereços do exemplo são das faixas reservadas para documentação.
RegistroPara que serveExemplo
AAponta o domínio para o endereço IPv4 da hospedagemsuaempresa.com.br → 192.0.2.10
AAAAO mesmo, com um endereço IPv6suaempresa.com.br → 2001:db8::10
CNAMEFaz um nome ser apelido de outrowww.suaempresa.com.br → suaempresa.com.br
MXDiz qual servidor recebe os e-mails do domíniosuaempresa.com.br → o servidor de e-mail do seu provedor
TXTTexto livre: verificações de serviços como o Google e proteções contra e-mail falsificado (SPF)v=spf1 include:… ~all
NSIndica quais servidores de nomes mandam no domínions1.suahospedagem.com

Como domínio, hospedagem e DNS se conectam

A conexão é feita no painel do registrador, onde você comprou o domínio, de uma destas duas formas: trocando os servidores de nomes pelos que a hospedagem fornece (e então a hospedagem administra todo o DNS) ou mantendo-os no registrador e criando lá os registros A ou CNAME que apontam para a hospedagem. As duas funcionam; a primeira é mais prática quando a mesma empresa cuida de tudo.

Um exemplo real: o domínio deste blog. Consultado em outubro de 2026, vertizeplus.com está registrado no registrador Name.com, seus servidores de nomes são os da Vercel —a empresa que hospeda o site— e seus registros A apontam para endereços dessa mesma empresa. O domínio está num lugar e a hospedagem e o DNS em outro: é o mais normal.

Vale a pena deixar tudo na mesma empresa? É mais prático: uma só fatura e um só painel. Separar tem outra vantagem: se um dia você trocar de hospedagem, o domínio não sai do lugar e a renovação continua igual. Nossa recomendação: o que importa não é onde ele está, e sim que o domínio esteja no seu nome, numa conta em que você consiga entrar.

Quanto custam um domínio e uma hospedagem?

O domínio tem um preço base conhecido. Para qualquer registrador, um .com custa 10,26 dólares por ano, valor que a Verisign vai subir para 10,97 dólares em 1º de novembro de 2026, mais uma taxa da ICANN de 0,20 dólar. Em cima disso, cada registrador põe sua margem, então o preço final muda de uma loja para outra. As extensões de país, como a .br, têm o preço definido pelo seu registro.

O que se paga para ter um site, em outubro de 2026.
O quêCom que frequênciaQuanto, mais ou menos
Domínio .comTodo ano (ou até 10 anos adiantados)11,17 dólares de custo base a partir de novembro de 2026, mais a margem do registrador
HospedagemTodo mês ou todo anoDe poucos dólares por mês (compartilhada) a bem mais (dedicada)
DNS—Quase sempre incluído no domínio ou na hospedagem
Certificado HTTPSRenova sozinhoGrátis com o Let’s Encrypt; muitas hospedagens o instalam sozinhas
E-mail com o seu domínioTodo mês, por caixa de e-mailÀ parte, a menos que a hospedagem inclua

Uma dica antes de pagar: olhe o preço de renovação, não só o do primeiro ano. Muitas ofertas de boas-vindas não se repetem na renovação, e o domínio é pago todo ano enquanto o site existir.

O que acontece se você não renovar o domínio?

Ele não some da noite para o dia. Nas extensões genéricas, como .com, a política da ICANN para domínios expirados define este caminho:

  1. Antes de expirar, o registrador precisa avisar você pelo menos duas vezes: cerca de um mês antes e cerca de uma semana antes.
  2. Ao expirar, você recebe outro aviso nos cinco dias seguintes, e o site e o e-mail param de funcionar pelo menos durante os últimos oito dias em que ainda dá para renovar.
  3. Se o registrador o apagar, ele entra num período de resgate de 30 dias em que você ainda pode recuperá-lo, pelo valor que o seu registrador cobrar.
  4. Depois desse prazo, o nome fica livre e qualquer pessoa pode registrá-lo.

As extensões de país, como a .br, seguem as regras do seu registro, que podem ser outras. Na prática: ative a renovação automática, mantenha o cartão em dia e use na conta um e-mail que você leia. Se esse e-mail for do mesmo domínio, o aviso pode cair numa caixa que já parou de funcionar.

Como saber em nome de quem está o seu domínio?

Quem aparece como titular do domínio (o registrante) é quem pode renová-lo, levá-lo para outro provedor ou vendê-lo; a ICANN resume os direitos e as responsabilidades do titular numa página própria. Às vezes a agência ou o programador que fez o site registra o domínio no próprio nome: enquanto a relação vai bem, ninguém percebe, mas se ela acaba, recuperá-lo pode ficar complicado.

Conferir leva um minuto:

  1. Abra o ICANN Lookup, a ferramenta oficial de consulta (ela está em inglês).
  2. Digite o seu domínio e clique em Lookup.
  3. Veja o registrador, a data de criação e a de expiração. Os dados do titular costumam aparecer ocultos por causa das leis de privacidade: é normal.
  4. Para ver quem é o titular, entre na conta do registrador. Se você não tem acesso a ela, peça a quem registrou o domínio.

Com vertizeplus.com, por exemplo, aparecem o registrador, que ele foi registrado em 11 de julho de 2026, que expira em 11 de julho de 2027 e o status client transfer prohibited: um cadeado que impede levá-lo para outro registrador sem permissão do titular. Domínios .br são consultados no próprio Registro.br.

Se o domínio não está no seu nome, peça a troca de titular agora, enquanto não há nenhum problema. E se algum guia mandar você “fazer um whois”, é a mesma coisa: desde janeiro de 2025 a consulta usa o protocolo RDAP, que substituiu o WHOIS nas extensões genéricas.

O que se exagera sobre domínios e DNS

  • “Mudanças de DNS levam 48 horas.” Cada registro tem um tempo de vida (TTL) que diz por quanto tempo um resolvedor pode guardá-lo; quando ele acaba, o resolvedor pergunta de novo. Com um TTL de uma hora, a mudança chega a todos em uma hora. As 48 horas só acontecem com TTLs muito longos.
  • “Domínio e hospedagem precisam estar na mesma empresa.” Não: o DNS liga os dois onde quer que estejam.
  • “É preciso comprar todas as extensões.” Só se a sua marca corre risco de ser imitada. Para a maioria dos negócios, uma basta: a .com.br ou a .com.
  • “Ter domínio já é ter site.” O domínio só reserva o nome. Sem hospedagem, quem digitá-lo vai ver um erro ou uma página de espera do registrador.

Resumindo

O domínio é o nome, a hospedagem é o lugar onde o site fica e o DNS é o que leva de um ao outro. Antes de contratar, compare o preço de renovação, ative a renovação automática e confira hoje mesmo se o domínio está no seu nome.

E se você prefere não lidar com servidores e registros, no Vertize Plus Business fazemos o site do seu negócio e cuidamos da parte técnica.

Perguntas frequentes

Posso ter um domínio sem hospedagem?

Sim. Você pode registrá-lo para reservar o nome, usá-lo só para e-mail (com um serviço de e-mail e seus registros MX) ou redirecioná-lo para outra página, como o perfil do seu negócio nas redes sociais. O que você não terá é um site próprio até contratar a hospedagem.

Posso trocar de hospedagem sem perder o domínio?

Sim. Basta mudar os servidores de nomes ou os registros A do domínio para que apontem para a hospedagem nova. Se você também quiser levar o domínio para outro registrador, hoje a ICANN não permite isso nos 60 dias seguintes ao registro ou a uma transferência anterior.

O que é melhor, .com ou .com.br?

Depende de para quem você vende. Um .com é reconhecido no mundo todo; um de país, como o .com.br, diz aos seus clientes e ao Google que você está no Brasil. Segundo a documentação do Google, os domínios de país são um sinal forte de qual país um site quer atingir. Se você só vende no Brasil, o .com.br é uma ótima escolha.

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