O que é um prompt e como escrever um bom, com exemplos de antes e depois
Para quem usa ChatGPT, Gemini ou Claude no trabalho ou em casa: as partes de um bom pedido, três exemplos reais, o que não funciona e como conferir o que a IA responde.
Um prompt é a mensagem que você escreve para uma inteligência artificial como ChatGPT, Gemini ou Claude para pedir alguma coisa: uma pergunta, uma ordem ou um pedido com todos os detalhes. Escrever um bom prompt é dar à IA o que você daria a alguém recém-contratado: o contexto, a tarefa exata, o formato esperado e, se possível, um exemplo. Com isso, a resposta deixa de ser genérica.
Os guias oficiais da Anthropic, da OpenAI e do Google concordam nessas quatro peças e em mais uma coisa: conferir o que volta, porque a IA pode inventar. A seguir, exemplos de antes e depois (um e-mail para um cliente, o cardápio de uma lanchonete, uma lição de casa), o que não adianta, como ameaças ou gorjetas, e quanto mais longo é um prompt completo. Nós medimos.
O que é um prompt?
Prompt é a instrução que um modelo de IA recebe: tudo o que você digita, fala ou anexa, no celular ou no computador, antes de ele responder. Pode ser uma pergunta de cinco palavras ou uma página com dados, exemplos e regras. O Google, no guia em português do Gemini, chama os prompts de «comandos».
Como a IA entende o que você pede?
Pense em um funcionário brilhante no primeiro dia: ele sabe muito, mas não conhece seus clientes, nem seu tom, nem para que serve o trabalho. É a comparação do guia de prompts da Anthropic, a empresa que faz o Claude, que sugere um teste simples: mostre seu prompt a um colega sem contexto. Se ele ficar confuso, a IA também vai ficar.
A IA não adivinha o que você não diz: ela preenche as lacunas com o mais provável, que costuma ser o mais genérico. A OpenAI explica o mesmo na sua central de ajuda: os modelos costumam render mais quando você pede como pediria a outra pessoa, com detalhes claros. Tudo o que você escreve é lido em pedaços chamados tokens; explicamos em o que são tokens em IA.
Quais são as partes de um bom prompt?
Um bom prompt tem quatro partes: contexto (quem você é, para quem é e para quê), tarefa (o que fazer, com um verbo claro), formato (tamanho, tom, estrutura) e exemplos (um ou mais modelos do que você quer). Nem sempre as quatro são necessárias, mas cada uma que falta é uma lacuna que a IA preenche do jeito dela.
- Contexto. Quem vai ler o resultado, onde ele vai ser usado e o que conta como «bem-feito». A Anthropic pede para explicar também o porquê: em vez de «NUNCA use reticências», o exemplo dela diz que o texto será lido por uma voz sintética que não sabe pronunciá-las.
- Tarefa. Uma ação concreta: «redija», «resuma em cinco tópicos», «compare». Se houver vários passos em ordem, numere.
- Formato. Tamanho, tom, idioma e forma: uma frase, uma tabela, três opções. As boas práticas da OpenAI pedem para ser específico sobre o resultado, o tamanho, o formato e o estilo.
- Exemplos. Um modelo do que você espera vale mais que três adjetivos. O Google chega a recomendar incluí-los sempre nos prompts para o Gemini.
- E o que quase ninguém escreve: os limites. O que ela não deve fazer e o que fazer quando faltar um dado, por exemplo «se não souber, diga».
Exemplos de prompts: antes e depois
Um e-mail para um cliente
Antes: «Escreva um e-mail para um cliente dizendo que o pedido dele atrasou». A IA não sabe quanto atrasou, por quê, o que você oferece nem como você fala com ele, então inventa um pedido de desculpas genérico, talvez com um desconto que você não pretendia dar.
Depois: «Tenho uma loja on-line de móveis de madeira maciça. Escreva um e-mail para a dona Cláudia, cliente há dois anos: a mesa de jantar dela vai chegar em 6 de novembro, e não em 30 de outubro, porque o verniz precisa de mais dias para secar. Ofereça frete grátis como compensação, nada além disso. Tom caloroso e direto, no máximo 120 palavras, com assunto. Se faltar algum dado, deixe entre colchetes».
Muda tudo: a IA agora tem a data, o motivo, o que oferecer e o que não, o tom e o tamanho. Os colchetes evitam que ela preencha com dados inventados o que você não deu.
A descrição de um prato para o cardápio
Antes: «Escreva a descrição de um pão de queijo para o cardápio da minha lanchonete». Sai um pão de queijo qualquer, com ingredientes que talvez você não use e um tom de folheto turístico.
Depois: «Tenho uma lanchonete de família em Belo Horizonte e estou refazendo o cardápio impresso. Escreva a descrição do prato “Pão de queijo recheado da casa”. Ingredientes: polvilho, queijo canastra, linguiça e requeijão; servido com café coado. Preço: R$ 14,90. Formato: uma frase só, de no máximo 25 palavras, tom próximo, sem pontos de exclamação, com o preço no final. Use só os ingredientes que eu te dou. Exemplo do estilo do meu cardápio: “Feijão tropeiro com torresmo e couve na manteiga, do jeito da vó. R$ 22,00”».
Aqui o exemplo faz o trabalho mais difícil: mostra o tom do seu cardápio melhor que qualquer adjetivo. E «use só os ingredientes que eu te dou» impede que apareça um catupiry ou uma pimenta que você não serve.
Uma lição de casa
Antes: «Faça minha lição de frações». Você recebe respostas que talvez não sigam o método da aula, e o aluno não aprende nada.
Depois: «Meu filho está no 5º ano e precisa somar frações com denominadores diferentes. Explique o método do mínimo múltiplo comum com um exemplo de pizza, com palavras para uma criança de 10 anos. Depois, dê três exercícios sem a resposta e, separadas no final, as respostas para eu conferir».
Quanto mais longo é um bom prompt? Nós medimos
Em 25 de outubro de 2026, contamos as palavras e os tokens dos dois prompts do cardápio com a gpt-tokenizer 4.1.0, uma biblioteca aberta que reproduz o o200k_base, o tokenizador da OpenAI usado pelo GPT-4o.
| Prompt | Palavras | Tokens |
|---|---|---|
| Antes | 14 | 21 |
| Depois | 87 | 152 |
O prompt completo é umas seis vezes mais longo e se escreve em um par de minutos. Em troca, pode poupar as três ou quatro rodadas de «mais curto», «sem exclamação», «esse ingrediente eu não uso». O Claude e o Gemini cortam o texto com tokenizadores próprios, então os números deles serão um pouco diferentes.
Como conseguir o formato que você quer?
Diga o que você quer de forma positiva. Tanto a OpenAI quanto a Anthropic aconselham pedir o que a IA deve fazer em vez do que não deve: «escreva em parágrafos corridos» funciona melhor que «não use tópicos».
Mostre antes de explicar. Um exemplo mostra tamanho, tom e estrutura de uma vez. A Anthropic sugere de 3 a 5 exemplos variados para tarefas repetidas, separados por marcações como <example>; o Google avisa que, com exemplos demais, o modelo passa a copiá-los em vez de entender o padrão.
Funcionam os «prompts mágicos», as ameaças ou as gorjetas?
Não de forma confiável. Um estudo da Wharton School testou ameaçar a IA e oferecer gorjeta a ela, e em geral nenhuma das duas mudou seus resultados de forma significativa. Nenhuma fórmula secreta substitui o que de fato muda a resposta: contexto, uma tarefa clara, o formato e exemplos.
O relatório, publicado em agosto de 2025 por Lennart Meincke, Ethan Mollick e equipe, partiu de uma frase de Sergey Brin, cofundador do Google, que em maio de 2025 disse que os modelos rendem mais quando ameaçados. Eles mediram com duas baterias de perguntas difíceis, GPQA e MMLU-Pro. Algumas variações mudavam muito o resultado de uma pergunta específica, mas não havia como saber de antemão se ajudariam ou atrapalhariam.
Gritar também não adianta. O guia da Anthropic conta que seus modelos recentes seguem as instruções com mais atenção e recomenda trocar ordens do tipo «CRÍTICO: VOCÊ DEVE…» por um simples «use isto quando…», porque o tom alarmista pode fazer a IA aplicar a regra além da conta.
- «Copie este prompt perfeito». Modelos prontos ajudam a não esquecer partes, mas o valor está nos dados que só você tem: seu cliente, seu prato, sua data.
- «Diga que ela é uma especialista mundial». Dar um papel ajuda, sim, a definir o tom e o foco, segundo a Anthropic, mas «você é o melhor advogado do mundo» não dá a ela conhecimentos que ela não tem.
Como conferir o que a IA responde?
Trate a resposta como o rascunho de alguém novo: confira números, nomes, datas e citações na fonte original antes de usar. As próprias empresas pedem isso. O Google lembra no seu guia que o resultado final é responsabilidade sua, e a Anthropic avisa que suas técnicas reduzem as respostas inventadas, mas não as eliminam.
Algumas checagens podem ir no próprio prompt, segundo o guia da Anthropic para reduzir alucinações:
- Dê permissão para não saber: «se você não tiver o dado, diga que não tem». Segundo a Anthropic, isso pode reduzir muito a informação falsa.
- Amarre ao seu documento: cole o texto e peça que ela cite as frases exatas em que se baseia.
- Peça que revise a própria resposta: que ache uma citação para cada afirmação e tire a que não tiver.
- Confira fora da IA o que importa: preços, leis, doses, qualquer dado de saúde ou de dinheiro.
Com imagens é igual: uma IA pode gerar uma foto convincente de algo que nunca aconteceu. O que observar nelas explicamos em como saber se uma imagem é de IA.
O que muda para você e para o seu negócio?
Se você usa a IA para escrever e-mails, posts ou descrições de produtos, um bom prompt pode ser reaproveitado. Na prática:
- Guarde os prompts que funcionaram em um documento, com espaços para o que muda: [cliente], [data], [produto].
- Não cole o que você não compartilharia: senhas, dados bancários ou informações privadas dos seus clientes.
- Peça o idioma e o país: «em português do Brasil, tom informal» evita palavras que seus clientes não usam.
- Nem tudo precisa de um chat. Para traduzir uma frase e ouvir a pronúncia, o tradutor grátis do Vertize Plus é mais direto.
O essencial
Um prompt é o pedido que você faz à IA, e sai melhor quanto melhor você explica: contexto, tarefa, formato e um exemplo. Ameaças e fórmulas mágicas não substituem isso, e a resposta sempre deve ser conferida.
Para o que não precisa de um chat (escanear um documento, criar um QR Code, remover o fundo de uma foto), você tem as ferramentas do Vertize Plus, várias grátis e sem cadastro.
Perguntas frequentes
O que significa prompt?
É uma palavra em inglês usada como está; em português equivale a «instrução», «comando» ou «pedido». O Google, nas páginas em português, fala em «comandos».
Preciso escrever para a IA em inglês?
Não. Na tabela da Anthropic (consultada em outubro de 2026), o Claude Haiku 4.5 rende em português do Brasil 96,1 % do que rende em inglês em uma prova de conhecimentos traduzida. Ajuda mais dizer em que idioma e variante você quer a resposta.